Apesar dos diários flagrantes da negativa ação antrópica em Teresópolis, nosso município também quase que diariamente tem motivos para comemorar: a natureza ainda é uma grande riqueza do município e flagrantes de espécies raras em ambientes naturais mostram que há esperança de um futuro melhor para nossas próximas gerações. Nesta terça-feira, pesquisadores do Parque Natural Municipal Montanhas de Teresópolis, que tem como símbolo e modelo de resiliência a Pedra da Tartaruga, divulgaram imagens de dois exemplares de Gato-do-mato-pequeno (Leopardus guttulus) avistados na área da unidade de conservação ambiental.

“A principal ameaça para essa espécie (e para muitas outras), é a destruição e fragmentação dos ambientes florestais, além das potenciais doenças transmitidas por animais domésticos. A IUCN classifica essa espécie como ‘Vulnerável’ e o ICMBIO como ameaçada de extinção no Brasil, na categoria “Vulnerável” (Trigo et al 2018). A pesquisa de campo é fantástica! Conseguir monitorar esses animais, e compreender seus comportamentos e seus habitats é fundamental na elaboração de estratégias para a conservação. Tenho esperança no agora!”, publicou o Biólogo e Subchefe do PNMMT, Ricardo Mello. Ele enfatizou ainda a importância da parceria com propriedades rurais do município para que flagrantes como esse possam ocorrer.

Entrevistado em novembro do ano passado no “Mochileiro Podcast”, na Diário TV, falou sobre fauna e conservação ambiental, destacando diversos temas fundamentais para a continuidade de diversas espécies e manutenção da qualidade de vida da população. Entre os tópicos, um que chama atenção sempre que alguém vídeo sobre esse animal ganha as redes sócias: as onças! Também conhecido como Sussuarana ou ainda Leão da Montanha, o Puma concolor é o maior felino presente hoje na Mata Atlântica e desperta sempre um misto de medo e admiração. Aliás, sobre o risco que muita gente acha que tem se cruzar com um deles em uma trilha ou no quintal de casa, Ricardo deixou claro que não existe perigo. “Eles são animais que andam na maior parte do tempo no horário noturno, noite e madrugada à dentro. Além disso, é um animal que evita contato com o ser humano ao máximo. Por experiência própria, fazendo trabalhos de monitoramento noturno, de levantamento de fauna, procuramos as onças, isso tendo rastro, pegadas, o horário que ela teoricamente costuma passar, e nunca conseguimos encontrar nenhuma. Ela sente nosso cheiro, escuta chegando, e evita passar perto. Então, a chance de ser premiado, de encontrar uma onça, é mínima”, enfatizou, completando que “não há nenhum risco, pois ela tem o hábito de evitar o contato com o homem”. Ricardo pontuou também que “no Brasil não tem nenhum registro de ataque a seres humanos. Quando ela passa perto, é sempre fugindo. Além disso, somos basicamente do tamanho dela, que chega em torno de 70 quilos e portanto se alimenta de animais menores”. Ainda na entrevista, o Biólogo fala como se portar caso a pessoa seja premiada com esse encontro e também sobre outros animais da região, como o flagrante feito recentemente de um coelho silvestre, o Tapeti. O “Mochileiro Podcast” esclareceu ainda uma dúvida de muita gente, o motivo de não ser permitido acessar unidades de conservação com animais domésticos.